Antes da era das câmeras automotivas, os motoristas da NASCAR eram fantasmas. Você não podia vê-los. Você acabou de ver capacetes e gaiolas grossas bloqueando o brilho do sol do sul. A única maneira de conversarem com os chefes de tripulação era através de rádios bidirecionais. Era uma caixa preta. Então tudo mudou em 1983.
A Daytona 500 marcou a estreia da primeira câmera automotiva da NASCAR. Não foi o que você pensa. A “RaceCam” era um pequeno dispositivo controlado remotamente dentro do carro de Cale Yarborough. Ele enviou um sinal para um helicóptero pairando sobre a pista. Aquele helicóptero transmitiu o sinal para um trailer, que finalmente o empurrou para a sua TV. Foi desajeitado. Foi revolucionário.
Yarborough não carregava apenas a câmera. Ele se tornou o primeiro piloto a vencer uma corrida com um a bordo. Mas a tecnologia nem sempre foi bonita. Veteranos como Dick Trickle foram flagrados acendendo um cigarro usando o isqueiro funcional de seu carro durante uma volta de cautela no final dos anos 1980. Agora? Estamos acostumados a ouvir cada mudança de marcha e cada explosão de rádio enquanto os carros gritam nas curvas.
A evolução da visão
A tecnologia avançou no início da década de 1990. As equipes começaram a montar câmeras em todos os lugares. Teto. Pára-choques. Eixos. Painéis laterais. Alguns até experimentaram câmeras de freio infravermelhas para mostrar o quão quentes as pastilhas ficavam nos cantos. Foi uma corrida louca por ângulos.
Em 2007, a ESPN foi ainda mais longe com câmeras automotivas de alta definição na NASCAR Nextel Series. Clareza importava. A velocidade importava.
Agora, após 25 anos de ajustes, a configuração está refinada. Entraremos na configuração exata a seguir. Mas primeiro você precisa entender o padrão.
O padrão de três câmeras
Os carros modernos da NASCAR executam quase universalmente uma configuração de três câmeras. Não é aleatório. É calculado.
- Pára-choques traseiro
- Telhado
- Cabine
Essa última é a “câmera cachorrinha”. Está posicionado onde um cachorro poderia sentar se usasse capacete. É a visão mais íntima que temos. Mas quem os instala? Não as equipes.
As equipes da rede de transmissão cuidam da tecnologia. Eles fazem furos nos painéis externos e no painel interno. Eles controlam a fiação. Demora cerca de meia hora por carro. Trabalho de precisão. Mãos rápidas.
Sempre houve um debate. A câmera adiciona peso? Isso prejudica o desempenho? Na década de 1980, apenas três corridas foram vencidas por carros com câmeras. Dois de Yarborough. Um de Geoff Bodine. Para ser justo, os carros sem câmeras recebem pesos fictícios. Isso acalma os chefes de tripulação. Majoritariamente.
Após a bandeira quadriculada, as câmeras desligam imediatamente. As mesmas equipes que os colocaram os retiram. Eles os empacotam para a próxima faixa.
Onde eles se escondem?
Teto. Pára-choques. Cabine do piloto. Esses são os três grandes. Mas os técnicos adoram levá-los para outros lugares se conseguirem convencer o chefe da equipe.
Grades frontais. Zona dos pés. A área do calcanhar. Isso nos permite ver exatamente como os motoristas gerenciam os pedais. Não se trata apenas de velocidade. É sobre a mecânica do esporte.
Passamos do mistério para a clareza cristalina. A visão é mais nítida. O áudio está mais alto. Mas a questão permanece: o que vem por aí para a tecnologia no cockpit? Veremos a configuração ideal na próxima página.
Como a NASCAR escolhe quais carros recebem câmeras no carro
Parece uma loteria. Com um campo típico da Nextel Cup com mais de 40 carros, como uma equipe consegue o cobiçado pacote de câmeras automotivas? Não é aleatório. As emissoras e os fãs querem ver os motoristas que realmente importam em locais específicos.
Pense no Dover International Speedway. Se um piloto liderou a tabela de classificação ou terminou entre os dez primeiros na Monster Mile por cinco temporadas consecutivas, ele está preso. Se você se destacar em Watkins Glen, contornando aquelas chicanes, espere uma lente apontada para sua cabine. O desempenho determina o posicionamento.
Mas a velocidade da pista não é a única métrica. Os líderes de pontos têm prioridade. Quando a luta pelo campeonato fica entre os cinco primeiros, as câmeras acompanham o dinheiro e a classificação. O piloto com melhor chance de ganhar o grande prêmio recebe a cobertura. É sobre narrativa. E drama. E classificações.
O custo de estar na frente das câmeras
Como tudo nas corridas de stock car, isso não é de graça. A câmera do carro é um ativo patrocinado. Normalmente, o patrocinador principal do carro compra um pacote publicitário da emissora que inclui as lentes. Ocasionalmente, um anunciante sem carro na corrida irá buscá-lo, mas isso é raro.
O posicionamento é deliberado. Você deseja que o logotipo do patrocinador fique visível. As câmeras do teto prendem os adesivos do capô. Câmeras caninas (montadas perto da cabeça do motorista) captam distintivos no traje de combate a incêndio. É um imóvel visual.
Patrocinar essas câmeras por uma temporada custa cerca de US$ 30.000. Esse número pode saltar para US$ 50.000 para pilotos populares que estão no topo da classificação. Você está pagando pelo acesso. E atenção.
As câmeras prejudicaram o desempenho?
As câmeras automotivas têm a reputação de adicionar peso e resistência ao carro. Os motoristas historicamente resistiram a eles. Mas os dados contam uma história diferente.
Peso e arrasto não impediram as vitórias. Na temporada de 2008, todas as corridas de rua foram vencidas por um carro com câmeras instaladas. Isso inclui os dois eventos da NASCAR realizados no México. O hardware não os atrasou. Ele simplesmente ficou lá, gravando.
Do Cockpit à Sala de Estar
Levar aquele sinal da cabine para a TV costumava ser uma dor de cabeça. Os primeiros sistemas transmitiam para um helicóptero pairando no alto. O helicóptero então transmitiu o feed de volta para um trailer de transmissão. Funcionou. Mas era pesado em combustível e logística.
Agora? O helicóptero desapareceu. Em seu lugar estão receptores alinhados no topo das arquibancadas da pista. A câmera do carro envia sinais. Os receptores de pista os capturam ao longo de todo o percurso. A partir daí, o sinal chega a um trailer para processamento e depois é enviado para a rede.
Cabo. Satélite. Internet. Orelhas de coelho. O que quer que você use, o feed chega.
O resultado é intimidade. Os fãs se sentem mais próximos da ação. Você vê o soco na bandeira quadriculada. Você ouve o tráfego de rádio entre o motorista e o chefe da equipe sobre desgaste ou manuseio dos pneus. Isso cria uma conexão que as fotos aéreas nunca conseguiriam.
Tecnologia e visões futuras
As empresas perceberam essa atração. A DirecTV assinou acordos com a NASCAR para alavancar o relacionamento. Seu pacote “NASCAR HotPass” oferece imagens de alta definição no carro e canais de áudio dedicados para motoristas selecionados. Você paga pela linha direta.
À medida que a tecnologia diminui e as imagens ficam mais nítidas, a NASCAR continuará avançando. Câmeras infravermelhas do motor? Câmeras no capacete? Tudo é possível. Desde que alguém esteja disposto a patrociná-lo.
Além da Série da Copa
Isso não é só para a Copa Nextel. As corridas NASCAR Nationwide e Truck Series também apresentam câmeras no carro. Mas outros esportes chegaram primeiro, ou junto com eles.
Câmera de gol na rede do hóquei. Câmera de máscara montada no receptor do beisebol. Eles fazem parte do mesmo fenômeno. Lentes encolhidas e de alta tecnologia que trazem os fãs para dentro da ação. Queremos ver o que eles veem. Queremos ouvir o que eles ouvem.
A tecnologia avança. Os patrocinadores continuam pagando. Os fãs continuam assistindo. E as câmeras continuam rodando.













